sexta-feira, 28 de maio de 2010

A música Sacra: A música de Deus




A música sacra é, de longe, a música de Deus. Poderá as pessoas perguntar: E Deus lá tem música? Não. A resposta é: Não! Deus não compôs nenhuma música, e nem recomendou alguma. São as pessoas que podem ou não atribuir as canções sacras à natureza celestial, e, já desde os tempos do Velho Testamento bíblico nota-se a inclinação do povo de Deus para ela.



Neste singelo artigo, tentarei mostrar aos caros leitores, a resistência desta magnífica obra de arte que ultrapassou os séculos e impressiona os ouvidos mais sensíveis e ainda arranca lágrimas dos mais duros homens.




Do conceito de música aplicado ao sacramento
Primeiramente, vamos recordar o conceito do que é música:
É a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma, mediante o som.
Pois bem; com isso já sabemos que: A música é uma arte feita com sons, usada para manifestar os diversos afetos da alma humana. Assim sendo, quando o cachorro late ou um pássaro se agita ao ouvir uma música alta, é simplesmente o som que está impressionando seus ouvidos, não uma correspondência pelo que sentem em si. Animal não tem sentimentos. Logo, podemos afirmar que apenas homens sabem reconhecer uma música. Podemos ir mais a fundo: Deus, que fez a única criação deste mundo com suas próprias mãos, os abençoou de profunda sensibilidade para adorá-lo com perfeição.

Para se ter uma música, é preciso: Melodia, Harmonia e Ritmo e Andamento.
Para a música sacra, os elementos acima se tornam mais evidentes e característicos, pois, para que o teor sacro seja destacado, é preciso que seja “aclamado”, ou seja, a música sacra precisa ter uma característica de devoção, gratidão, aclamação e comoção. Assim sendo, a melodia da música deve ser simples e bem elaborada; a harmonia deve ser destacada, mas nunca superando a melodia; e, por fim, o ritmo, que assegura todo o teor, não deixando, como exemplo, que a música sacra se torne uma valsa. Não podemos esquecer-nos do andamento do som, que para a música sacra deve ser suficientemente regulado, para que a harmonia seja sentida.

Do conceito de “aclamação”
Nem todas as músicas cristãs são sacras.

Para que a música seja sacra, é preciso obedecer algumas regras básicas, como segue: A entonação deve ser por voz humana ou instrumentos que possuem som característico nasal (como o trombone), para que o teor de “aclamação” seja evidenciado. Deve dar a impressão de choro, lamentação ou profunda gratidão, pois deve remeter ao respeito e reverência. Não é por acaso que os Hinos Nacionais ou até mesmo Hinos de Clubes Esportivos tem entonação sacra, pois ao ser entoado deve arrancar dos ouvintes o máximo de respeito devido, com postura corporal educada e total respeito à letra.

Se a música é cantada, a letra deve obedecer a critérios ortodoxos de regras de linguagem, acentuação e colocações, pois, o objeto a quem se oferece o som deve ser algo de respeito mútuo. Para a música sacra cristã, o cuidado deve ser dobrado. Na música sacra, que por sinal é a primeira e autêntica música cristã, a letra das poesias devem ser totalmente desprendidas de vaidades pessoais e irreverências. Devem ser orações, salmos e louvores plenamente baseados na bíblia, manual de conduta universal dos cristãos. Não se pode como exemplo, pedir riquezas ou fazer louvores a Deus como se tivessem elogiando um amante. A poesia pode profanar a música, por mais perfeita que ela seja, caso não seja perfeitamente elaborada.
A letra de uma música deve estar afinadíssima com sua melodia. Na música sacra isso deve ser plenamente respeitado.

Da composição dos conjuntos e/ou orquestras
Para um conjunto, ou orquestra sacra, os critérios de composição dos instrumentos devem ser observados. A base de uma orquestra sacra é, indiscutivelmente, os instrumentos de bocais (trompetes, trombones, trompas), pois dão característica nasal ao som e possuem entre si, profunda relação de afinação. Outros instrumentos podem compor uma orquestra sacra, como cordas e palhetas (em menor quantidade), mas, o excesso de alguns deles poderiam causar transformações na música, como Jazz para o excesso de palhetas. Pianos, percussões e qualquer outro instrumento que “picote” o som deve ser evitado, pois a música sacra deve ser com sons contínuos, para valorizar a harmonia. Instrumentos de palhetas duplas (oboé, fagote, corne inglês ) podem e devem compor, pois além de possuir o som nasal, é excelente para eventuais solos e auxiliam na afinação. Acordeões e família dão ao conjunto um som aveludado. Se utilizado corretamente, embeleza a música sacra; do contrário, a destrói. O órgão é muito bem-vindo! Sozinho, aperfeiçoa o canto congregacional ou o coral, além de auxiliá-los. O órgão é capaz de preencher todo o espaço vazio em uma deficiência de vozes ou instrumentos, além de ser o ícone da tradição sacra. Mas, atenção: Se for de tubos, deve estar sempre regulado, e os tubos impecavelmente limpos, para garantir o som perfeito; e se for eletrônico, desde que seja de boa qualidade, deve também estar em perfeita regulação, pois esse tipo de órgão pode ser usado para acompanhar qualquer tipo de ritmo, desde o citado sacro ao rock, passando pelo jazz, que é muito comum no sul dos EUA, para acompanhar os corais que tem alto teor da típica música afro-americana.

Da relação Igreja Cristã x Música Sacra
Embora algumas pessoas afirmem a música sacra não é herança do judaísmo. Pode ser semelhante em pouquíssimos aspectos, mas não se origina nele. Embora se perceba que nos salmos sempre é recomendado o uso de instrumentos típicos da cultura e época, pode-se observar neles mesmos uma distanciação do que é sacro. Tambores, como exemplo, eram constantemente utilizados. A música sacra surgiu, provavelmente, na fusão do cristianismo com o Império Romano. Parte dos instrumentos que compõe hoje uma autêntica orquestra sacra, se originou na Europa, e não podemos nos esquecer, de que os Italianos (Romanos, até então) são bem inclinados a música erudita, da qual a sacra é filha. Talvez, fosse por este motivo, que desde os primeiros anos da era cristã, onde a participação da Itália é indiscutivelmente fundamental, a música sacra ganhou prestígio; não podemos nos esquecer de que toda a tradição cristã se origina dos pagãos e gentios convertidos. Será que se o cristianismo fosse consolidado no oriente teríamos essa herança? Com certeza não.

Eu sei que vocês devem estar indagando: Nossa, quer dizer que a música sacra, que o autor chama de Música Divina, é de origem pagã? Não! Não é isso. E ainda que fosse não contrariaria. Primeiro porque o cristianismo rompeu com tradições hebraicas, portanto, não teve a obrigação de carregar a cultura deles, e isso é recomendado, e muito, pelo Apóstolo São Paulo (vide cartas aos Romanos). Sobretudo, devemos nos atentar a uma mudança radical que transformou o conceito de louvor na nova igreja, e isso fundamentou o teor da música sacra: O homem passava, a partir de então, a dar diretamente a Deus o seu louvor, assim como pedir a Ele os seus devidos perdões além de Lhe dar sacrifícios de louvores, sem precisar da intermediação de um sacerdote. E não podemos esquecer também, que o Espírito Santo consolador, prometido por Jesus Cristo, agora faz parte da igreja, habitando em cada um dos fiéis.
Pronto! A fórmula está perfeita: Temos uma música simples e tocante somado à aproximação do homem com Deus e a efusão do Espírito Santo, que toca o interior.

Das diferenças entre Música Sacra e outras músicas cristãs
Não estou aqui para dizer que outras formas de louvores são inválidas. Longe de mim este mal! Não podemos dizer que Deus rejeita outras formas, pois, ninguém conhece os sentimentos de Deus. Todavia, a forma de louvar a Deus não parte de Deus para o homem, e sim do Homem para Deus. A manifestação humana de louvor, nada mais é do que a demonstração daquilo que sua alma sente realmente.

No entanto, sou um defensor irredutível da música sacra, principalmente se o ambiente é dentro de uma igreja cristã. Já demonstrei acima que a música sacra conduz a reverência, ao respeito, a subordinação total a Deus e ao reconhecimento da soberania divina. Ninguém que ouve uma música sacra na igreja, ou até mesmo ajuda a produzi-la (cantando ou tocando) sente a necessidade de dar pulos ou levar as mãos ao alto, para um lado ou outro. A música sacra não permite isso. É como água e óleo. Não misturam! Ao ouvir ou participar de um momento de música sacra, a nossa própria mente se concentra para prestar atenção nas combinações harmoniosas, e isso favorece o entendimento da poesia, que deve ser impecavelmente ortodoxa a bíblia, e então, damos glórias a Deus, porque efetivamente a música teve seu papel na nossa vida: Ouvir a voz divina, doce e suave, como Ela é.

Se o louvor é feito como Canto Congregacional, auxiliado por órgão ou orquestra, a música ganha uma característica ainda mais nobre e cristã: Igualdade! Sim, por que no canto congregacional, não se conhece quem canta bem ou não; afinado ou não. O som que se obtém é unânime, e aí poderá ser perfeito por si só, ou não. Se o órgão ou orquestra auxilia, os vazios e deficiências de tonalidade são preenchidos, e então temos um som perfeito, onde todos produziram; logo, o clima é de unanimidade, igualdade e prazer interpessoal.

Quanto às outras formas de música cristã, resumem-se a “popularização”. O impacto que o homem sente com a música sacra, exatamente por ser uma música típica de igrejas cristãs, não é sentido nestes louvores, porque não há àquela fronteira entre o mundo e a igreja (neste sentido). Se o impacto sentido com o contato da música sacra produz “silêncio” e reverência, não havendo impacto, restam apenas movimentos corporais típicos de um momento qualquer, dentro ou fora da igreja. Além do mais, as poesias das músicas cristãs populares, sempre pendem para o individualismo, ao louvor com palavras irreverentes e a busca por coisas concretas. Ainda assim, temos o agravante do som metálico ou acústico, cantores solos ou bandas, fazendo com que a congregação aprecie, mas nunca participe. As músicas populares cristãs, ou músicas Gospel, como são mais conhecidas, sempre deixam aquela dúvida: Estou com meu espírito feliz porque algo me tocou ou estou em transe emocional pelas batidas da bateria combinadas com o ritmo da guitarra? Não é por acaso que as coreografias surgiram nos cultos evangélicos; a musicalidade gospel permite isso. E isso tem gerado profundas controvérsias no meio, pois a impressão que se dá, é de um show com artistas e não a casa onde apenas se louva a Deus.

Da sobrevivência da Música Sacra
Eu vou começar este parágrafo com uma pergunta grosseira, imprópria, mas perfeita para demonstrar o que quero aqui: O que é música de velho? Erudita ou Jovem Guarda? Se fizesse uma enquete, acho que teríamos 95% das respostas para a “Jovem” Guarda. Mas: A música sacra não tem aproximadamente dois mil anos? E a Jovem Guarda não estourou em 1950? Sim, entre uma e outra temos quase dois milênios. Mas é aí que está. A música erudita, além de não ser muito difundida, é sempre nova pela genialidade de seus mestres. Ainda bem que é assim, do contrário seria popular, como foi a Jovem Guarda, e então, aí sim poderíamos perdê-la, como se perdeu a Jovem Guarda. Tudo o que é popular se vai. O homem precisa de um momento de refúgio em todos os aspectos. Todos precisam se desligar por algum momento de sua sociedade, de seu tempo, para que ele consiga viver nela e nele, respectivamente.

Levando isso para dentro da música sacra, podemos evidenciar ainda mais essa necessidade: Além da igreja, que deve consistir em uma fronteira entre o mundo e graça, entre o sagrado e o profano, temos que dar a ela características para essa notória (ou não) fronteira.
A igreja deve ser como o “pasto verdejante”, onde as ovelhas cansadas recorrem para obter pleno descanso, após passar pelo “vale da sombra da morte”. E se a igreja não proporcionar isso, como mostrar luz ao mundo?

A música sacra da ao ambiente um teor santo, de refúgio, de sombra e amparo. E é por isso que ela tem dois mil anos e terá muito mais, e melhor, terá continuidade no Reino de Deus, e nunca será velha, como a “Velha Guarda”, pois, sempre haverá os refugiados buscando sombra em um mundo desértico.

Soli Deo Gloria!!!

3 comentários:

  1. É isso que me deixa feliz! Pessoas novas, na flor da idade capazes de produzir opinião. E ainda, gosto de sua redação, é uma leitura muito agradável.
    Interessante sua comparação entre "Velha Guarda" e música erudita. Nunca havia pensado sob essa ótica.
    Por fim, senti-me honrada sobre o que disseste do Orgão...
    Parabéns!!

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  2. Obrigado Paloma!
    Fico feliz por encontrar pessoas com refinados gostos, como eu.
    É um prazer tê-la como leitora.

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  3. ApdD! Deus te abençoe pelo maravilhoso texto! Ainda mais por ter sido escrito por um conterraneo, e por eu gostar muito de musica erudita e sacra principalmente! Vide meu blog: http://hinosevangelicosinstrumentais.blogspot.com/

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