quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os Evangélicos de carreira e os Evangélicos temporais

Foi-se o tempo em que existiam dois tipos de cristãos no Brasil: Os católicos e os “crentes”.
Até 30 anos atrás, os evangélicos eram basicamente os “crentes”. Era aquela mocinha que usava saião na escola e todos chamavam de “crentinha”.

Na década de 70 surgiu no país o Neopentecostalismo, e junto com ele o pluralismo religioso em quase todos os grupos cristãos, por influência dele, é claro.


Afinal, hoje, quem são os evangélicos? Aquele senhor que insiste em usar um terno de crepe na cor vinho, com uma gravata azul e uma camisa Pink e com a bíblia (sempre) enorme embaixo do braço, ou é aquela sofisticada “socialite” que freqüenta as altas camadas sociais paulistanas, e dão gordas contribuições para os programas da primeira dama?
É àquele apresentável rapaz de terno alinhadíssimo, que toca instrumento erudito e ouve Bach, ou é àquele “mauricinho” da Bola de Neve Churc, que vai à igreja de skate e curte Oficina G3? Seria àqueles desesperados “ex-alguma coisa” (viciados, detentos) que prega em voz alta nas praças embaixo de chuva?


O pluralismo entre os evangélicos é tão grande, que até o povão hoje sabe distingui-lo.


Vejamos a classificação superficial do que não é ser católico para o povão:
• Crente – Aquele ser humilde, honesto, que não faz isso e nem pratica àquilo (muitas vezes até mesmo no sentido figurado);
• Evangélico – Àquele que freqüenta a igreja do Macedo;
• Protestante – O que é isso? Um bando de doido que queimam pneus na Via Anchieta e levam faixas na paulista?


Percebe-se claramente que os valores, ritos e costumes que envolviam um protestante brasileiro tem sofrido alterações desde a chegada do Neopentecostalismo.
Atribuímos ao Neopentecostalismo essa influência, exatamente por ser a corrente que rompe com todos os valores e costumes da sociedade evangélica tradicional, quebrando esta muralha que separa os não-evangélicos dos evangélicos. Com a chegada dele, é possível continuar sendo o que é ou quem sempre foi, mas desta vez, bebendo menos e dando dinheiro à igreja.
Percebe-se que quanto mais cresce essa corrente, mas tradicionais se tornam os (já poucos) evangélicos seculares (incluem-se aqui os pentecostais clássicos e os protestantes históricos).
Essa corrente não só cresce em números, como também influenciam grupos, muitas vezes com centenas de anos de tradição secular, como é o caso das Igrejas Batistas (muitas delas tradicionais no discurso, mas neopentecostais na prática).


Proponho então, uma nova denominação do que é o ser evangélico, ao menos por hora: O Evangélico de “carreira” e o Evangélico “temporal”.


Evangélico de carreira
É aquele crente que se entrega de corpo e alma a um determinado grupo; que freqüenta os cultos assiduamente, participa das atividades, firmam laços sociais de todos os tipos, levam amigos e familiares para a igreja.
Não contribui com quantias altas, pois sempre contribuirá, porque sempre estará na igreja.
Encontramos esses evangélicos nas igrejas tradicionais (incluem-se aqui as pentecostais clássicas).
Estes evagélicos muitas vezes ja nascem dentro da igreja, e faz gerações dentro dela.

Evangélico temporal
Sabe aquela pessoa que ninguém imaginava, mas um dia “vira crente”? Assim: do nada?Pode ser um evangélico temporal. Este tipo de evangélico, ao contrário do evangélico de carreira, não entrega sua vida de corpo e alma a uma fé, ele se entrega por alguns minutos dentro de uma igreja. Não muda seus hábitos cotidianos, não se compromete com ações da igreja e pouco deseja algum cargo nela. Não firmam laços na igreja, afinal, um amigo que se faz em um domingo, pode não estar mais lá no próximo.
Dão altas contribuições na igreja, porque não sabem quando o fará novamente.
Eles transitam entre igrejas do tipo, e por muitas vezes entram e sai delas. Em muitos casos, nem se desligam da igreja que foram educados, mas faz constantes visitas temporariamente a igreja que atende seu propósito no momento.
Pessoas com doenças incuráveis, ou com problemas de relacionamentos e ainda empresários falidos, costumam buscar satisfação de suas necessidades até ter seu problema resolvido, ou não; neste caso, o desligamento é por frustração.
Encontramos esses nas igrejas neopentecostais.
Para este caso ainda podemos observar que as igrejas adaptaram a estratégia ao modo de ser deles. Criaram os cultos temáticos, os encontros casuais, como as reuniões para empresários, da Igreja Universal.
O apelo do culto não está na entrega do coração a Jesus, e sim a contribuição generosa, provando esta entrega, afinal, tem que aproveitar a estadia do fiel hoje, pois não se pode confiar em seu comprometimento.


Conclusão
O que podemos concluir, por hora, é que cada vez mais se cria uma distância entre os dois grupos. Para um evangélico de carreira, torna-se repugnante e ofensivo a generalização. Já para os evangélicos temporais, torna-se agradável a idéia, uma vez que pensar em tradicionalismo submete a seriedade.


Sola Gratia!
Ricardo Oliveira

Um comentário:

  1. Ricardo,

    Meu e-mail para contato é gloecir@hotmail.com estou à sua disposição ok? você deixou comentário no BLOG do Religare (sobre o livro ITALIANOS PENTECOSTAIS) fique à vontade para entrar em contato 0k?
    Grande abraço,
    Gloecir Bianco

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